sexta-feira, 5 de abril de 2019

Ministro do STF dá carteirada e se recusa a passar por detector de metais em aeroporto



O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), causou tumulto no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, ao se recusar a passar pelo detector de metais antes de embarcar.

O episódio ocorreu na última terça-feira, 2, e foi noticiado nesta sexta-feira, 5, pela coluna da jornalista Bela Megale, do Globo. Antes do embarque, Alexandre de Moraes não permitiu que um funcionário passasse nele o detector de metais, conhecido como “raquete”, e seguiu direto para o avião.

A revista, no entanto, é um procedimento de segurança determinado pela lei internacional de segurança em voos – e se estende a todos os passageiros. Logo, a recusa de Moraes fez com que a Polícia Federal fosse acionada. Agentes da corporação entraram no avião onde estava o ministro e explicaram a ele que, como qualquer cidadão, teria de se submeter à revista.

Moraes acabou cedendo e se submeteu à revista, porém, visivelmente irritado e tecendo críticas em voz alta à PF durante o procedimento.

Em maio do ano passado, a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, causou tumulto e constrangimento no mesmo aeroporto também por se recusar a passar pelo detector de metais.

O caso foi noticiado pela coluna da jornalista Sonia Racy, do Estado de S. Paulo. “Protegida por uma carteirada do maridão, jovem juiz da Suprema Corte, embarcou, atropelando a PF, o comandante do avião e a lei. As normas de segurança, desprezadas por quem, por dever de ofício, deveria cumpri-las, são uma exigência da aviação internacional”, escreveu a jornalista na ocasião.

Trajetória do ministro

Alexandre de Moraes tomou posse como ministro do STF em março de 2017, indicado pelo presidente Michel Temer para substituir Teori Zavaski, morto em um acidente de avião em janeiro daquele ano.

Antes de chegar ao STF, Moraes foi secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo no governo Geraldo Alckmin, entre janeiro de 2015 e maio de 2016, e ministro da Justiça de maio de 2016 a fevereiro de 2017.

Sua passagem pelo Ministério da Justiça foi conturbada. Indicado para o cargo pelo então deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), ele era um ministro bastante próximo de Temer. Porém, seus planos para a segurança pública eram considerados falhos. Além disso, ele não demonstrava capacidade para ouvir sugestões de especialista no setor.

Em um episódio, em dezembro de 2016, por exemplo, Moraes foi duramente criticado por especialistas em segurança pública que se reuniram com o ministro no intuito de traçar um plano de segurança nacional.

Na época, Moraes convocou uma reunião em São Paulo com cinco especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança, do Instituto Sou da Paz, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Open Society e do Instituto Igarapé – as principais entidades de estudos de segurança pública do país.

A proposta era elaborar um plano de segurança nacional. Porém, Moraes falou por duas horas seguidas, sem dar ouvidos aos conselhos dos representantes. Um mês depois, no entanto, quando uma onda de violência entre facções tomou as penitenciárias do país, o ministro foi obrigado a detalhar seu plano.

Porém, o plano foi considerado um “show de horrores” por um dos especialistas que estava presente no encontro com o ministro em dezembro.

Ao jornal El País, em condição de anonimato, a fonte afirmou que o plano não tratava da prevenção à violência, ignorava tudo que vinha sendo feito nas gestões anteriores, não abordava a valorização dos policiais e dos agentes penitenciários nem lembrava as principais vítimas da violência: jovens, negros e pobres. Além disso, o plano se concentrava apenas nas capitais e regiões metropolitanas, abandonando mais da metade dos municípios brasileiros.


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