segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Em represália ao governo brasileiro, Maduro pode deixar Roraima às escuras

O Estado é o único que não faz parte do Sistema Interligado Nacional e depende da energia elétrica fornecida pelo país vizinho


Caso Nicolás Maduro adote alguma ação em represália ao fato de o governo brasileiro ter se manisfestado favorável ao oposicionista Juan Guaidó, Roraima pode ficar, literalmente, às escuras. Isso porque o estado ao Norte do país é o único que não faz parte do Sistema Interligado Nacional e ainda depende da energia elétrica fornecida pela Venezuela.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, explica que a construção de um linhão - linha que leva a energia produzida por hidrelétricas - seria a solução para o problema da energia elétrica em Roraima. Contudo, o especialista lembra que, por conta de uma disputa judicial que envolve uma reserva indígena, a obra está parada.

Sem solução imediata, Pires teme que o líder venezuelano Nicolás Maduro corte o fornecimento de energia de mais de 576 mil brasileiros.

“O presidente da Venezuela, o Maduro, é conhecido por atitudes intempestivas e muito pouco racionais. Então, eu acho que a gente tem que estar preocupado sim com a possibilidade de haver um corte de energia da Venezuela para Roraima e isso vai causar um apagão no estado. Tanto que, com esta preocupação de possível corte da Venezuela, o presidente Temer e o ministro Moreira Franco, no final do ano passado, chamaram uma licitação para a construção de uma térmica de 250 megawatts, cujo leilão deve ocorrer em maio.”

De acordo com o especialista em energia e pesquisador do Grupo de Economia, Renato Queiroz, grande parte da energia de Roraima é fornecida pela hidrelétrica de Guri, no norte da Venezuela, enquanto o restante vem de outras termelétricas locais. Ainda assim, segundo Queiroz, o estado tem passado por constantes blecautes, gerados por falta de manutenção na rede elétrica do país vizinho.

“Esses blecautes já existem há algum tempo, não é de agora, não. Quer dizer, a qualidade de suprimento era ruim, já estava sendo ruim, falta de manutenção pela crise da Venezuela, não tinha manutenção. Tinha uma dívida também que estava para receber e não receberam. Enfim, mas o que interessa é que essa situação de um suprimento instável ali na capital de Roraima e em algumas localidades ali já vinham ocorrendo.”

Para tentar resolver o problema, o Ministério de Minas e Energia (MME) abriu nesta sexta-feira (25) uma consulta pública com as regras para o leilão de aquisição de energia para o sistema isolado de Boa Vista e localidades conectadas no estado de Roraima. A previsão é que o certame aconteça no dia 16 de maio, com início do suprimento de eletricidade a partir 1º de janeiro de 2021.

O contrato da Eletronorte com a Corpoelec, empresa venezuelana encarregada do setor elétrico no país, vai até 2021 e até o momento essa empresa não manifestou interesse em renová-lo.
Reportagem, Cintia Moreira

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