sexta-feira, 15 de setembro de 2017

LAVA-JATO: Joesley critica “ato de covardia” de Janot e diz estar preso porque “mexeu com poderosos”

POR FÁBIO GÓIS

Reprodução

Em audiência de custódia, Joesley reafirmou inocência e relatou não ter sofrido maus-tratos na cadeia


O empresário Joesley Batista, um dos donos do Grupo JBS e delator de esquemas de corrupção sob exame do Supremo Tribunal Federal (STF), prestou hoje (sexta, 15) seu primeiro depoimento depois de ser preso, na última quarta-feira (13), por determinação do relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Durante sua fala em audiência de custódia em São Paulo (veja o vídeo abaixo), o Joesley diz estar preso porque se envolveu com “poderosos”. Joesley é um dos colaboradores judiciais que levaram à segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, algo inédito na história brasileira.

“Fui mexer com os poderosos, com os donos do poder, e estou aqui agora. Estou pagando por ter delatado”, declarou o empresário.

Joesley se queixou também do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que ontem (quinta, 14) rescindiu os termos do acordo de delação premiada de Joesley e Ricardo Saud, ex-executivo do conglomerado empresarial J&F. Com a rescisão, Janot também anula a imunidade penal que lhes garantia a liberdade. O procurador-geral, que deixa o comando da Procuradoria-Geral da República no próximo domingo (17), alega que os delatores omitiram e manipularam informações.

“Acho que o procurador foi muito questionado pelo motivo da nossa imunidade. Acho que foi um ato de covardia dele depois de tudo o que fizemos e entregamos de provas. Nós fizemos a maior e a mais importante colaboração da história”, acrescentou.

Assista ao vídeo:

 


Joesley foi interrogado pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O juiz manteve a prisão preventiva do empresário e explicou que, diante de sua bilionária condição financeiras, “risco concreto de fuga” não poderia ser ignorado. Com a decisão, Joesley permanecerá detido na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, por tempo indeterminado.


A audiência de custódia é referente à investigação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do Grupo JBS, no processo sobre uso de informações privilegiadas indevidamente usadas para lucrar no mercado financeiro. Durante o interrogatório, de cerca de duas horas, o empresário reafirmou inocência e negou ter sofrido maus-tratos no cárcere. Para Joesley, foram “naturais” os termos da negociação de ações da empresa na Bolsa de Valores, executada no dia seguinte à divulgação da conversa que ele gravou com Temer, no Palácio do Jaburu, e deu origem a duas denúncias contra o presidente por malfeitos e à mais grave crise política da gestão peemedebista.

“Todas as operações foram naturais. Estamos tranquilos em afirmar que tudo foi feito dentro da normalidade. Vendi porque necessitava de caixa”, acrescentou o delator.


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